7.12.12

Humedece a anedota, pá!


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Numa roda de gente, há um que puxa os galões do humor. O que se julga mais engraçado, o predestinado do humor. O resto da gente devia agradecer. Que ninguém desdenhe do humor provido em forma de serviço público, na mais desinteressada generosidade. Só que o fautor de humor enganou-se na função, tanta a incompetência para desatar um sorriso, um sorriso amarelo que seja, a quem o escuta.
Quando persiste no exercício, emaranha-se no risível. Talvez seja carência de protagonismo, ele ali no centro das atenções, toda uma audiência de boca aberta, ou entediada, a ouvir chistes desinspirados. Errou na função e não se consegue ouvir, nem ver, a si mesmo. Deve viver dentro de uma nuvem só habitada por ele, pés no ar e tudo, para julgar que continua ungido pela empreitada do humor. E não interessa se a piada é fácil ou elaborada, que o resultado esbarra na apatia da audiência. Podia-se queixar da apatia de quem o ouve. Assim como assim, um módico de gratidão não ficava mal à audiência, nem que fosse reconhecimento pelo esforço na generosidade humorista.
Ouvimo-lo a contar anedotas que rivalizam com a aridez dos desertos. A meio da anedota, intui-se que dali nada vai quadrar com humor. No fim da anedota, uns segundos breves depois do seu fim, o contador desfaz-se em gargalhadas sonoras perante a passividade do resto da gente à sua roda. E só uns instantes depois os demais se embrulham numa gargalhada coletiva. Que não foi motivada pela pilhéria rasa. Escangalham-se a rir com a gargalhada farta e ela própria risível do arremedo de humorista. 
Um dia, perguntámo-nos, já quase entregues à perplexidade, se o humorista não seria tão avançado na inteligência e nós nos seus antípodas. Pois se ali não discerníamos um grama de graça. Podia ser que fossemos todos diminuídos de inteligência e não conseguíssemos atingir o grau de humor do humorista de serviço. Parciais como sabemos ser, uns dias depois decretamos inválida a hipótese. E o assunto ficou arrumado, com a perplexidade devolvida à procedência.
O humorista nunca mais fez humor rasteiro na nossa roda de gente.

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