22.8.12

Quando for grande quero ser notável


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Para vir nas revistas que espiolham a vidinha da gente bonita, apessoada e cheia de pergaminhos. Para ser reconhecido nas ruas à medida que passeio a soberba por entre os mortais que não passam da anónima cepa torta. Reconhecido e invejado. Quero. Ir às festas onde toda a nata social dá à costa, mais os aspirantes a sê-lo. Aperaltado como mandam os preceitos. Se sobrar cabelo, ele todo lambidinho por uma mão-cheia de gel, a camisa desabotoada até meio do peito para melhor provar o bronzeado estival. Emparelhar com a consorte, nos seus cabelos deslumbrantes e do alto da sua frivolidade. Fazer sala aos da mesma estirpe, com converseta sem assunto a não ser as banalidades usuais. Beber Martinis separando negligentemente a azeitona que lhes servir de enfeite. Enquanto trato os da confraria por “você” e deixo decair o sotaque para maneirismos cascaenses. Passeando roupa de marca, que pedi de empréstimo ao primo em segundo grau que explora o franchising da marca da moda. Chegar às festas sociais no bólide que um tio rico, de quem sou sobrinho dileto, me emprestou. Responder com desdém aos meus serventuários, com a escusa do “por favor” quando ordenar comezainas e roupas em restaurantes e boutiques. Quero que os arrivistas sociais, tão entusiasmados com o que se publica na imprensa do ramo, sussurrem entre eles que me estão a reconhecer das fotos das revistas quando se cruzarem comigo. E eu, com ar de sobranceria incomodada, a antipatia que marca a distância entre o pedestal onde só os notáveis põem pé e os lugares rasteiros habitados pela ralé. Quero tudo isto e o mais que o néon social me presentear. Nem que não tenha onde cair morto e vá vivendo um dia atrás do outro mercê dos convites para lustrar eventos sociais pagos à contrapartida de espécie.

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